Betty fala da importância de tornar a psicologia acessível a todas as classes sociais.

Betty fala da importância de tornar a psicologia acessível a todas as classes sociais. 26/JAN - Acontece Lá em Casa

ESTRELA DA NOVA ATRAÇÃO DO SBT, FALA DA IMPORTÂNCIA DE TORNAR A PSICOLOGIA ACESSÍVEL A TODAS AS CLASSES SOCIAIS.  

A maior dúvida de pais e mães do mundo inteiro, é se eles estão ou não agindo da melhor forma possível em relação aos seus filhos. Na busca por respostas, surgem conselhos e “pitacos” por todos lados.

Pois é minha amiga mãe, se você não está se sentindo confusa, está mal informada.

Mas em breve, o Brasil todo vai conhecer uma dupla muito especial: A Jornalista Gabi Monteiro, (a atriz que interpretou Rosa, mãe de Valéria em Carrossel) e sua mãe, a psicóloga e escritora Betty Monteiro. Elas chegam para ajudar pais e filhos a se entender de uma vez por todas, os ajudando a resolver suas maiores dúvidas e dilemas e serem felizes, apesar dos tempos difíceis de hoje. 

Em entrevista exclusiva para o Site do SBT, a psicóloga Betty Monteiro fala da importância de tornar a psicologia acessível a todas as classes sociais através de um programa veiculado no SBT, a TV mais Família do Brasil e abre seu coração para o Brasil, contando sobre seus maiores sonhos e as dificuldades que passou na vida para chegar até aqui.  

Betty: Eu sempre fui movida por projetos de vida e apesar de tantas dificuldades que vico até hoje, de uma forma ou de outra, sempre realizei todos os meus sonhos.

Agora, no entardecer da minha vida, surge a oportunidade de levar a psicologia para dentro dos lares brasileiros, através do programa ACONTECE LÁ EM CASA, onde o objetivo maior é fazer com que a família se comunique.

É ensinar as pessoas a se colocarem no lugar do outro para pensar e entender esse outro através das técnicas do Psicodrama de Moreno, seu criador, cujo sonho era tornar o Psicodrama algo público, que pudesse ir às praças e ruas. Enfim, desmistificar a psicologia e a figura do psicólogo e fazer dela uma ciência abrangente, acessível a todas as classes sociais. Uma ciência que ajude o outro a pensar, a se transformar e transformar o mundo em um lugar menos selvagem, melhor de se viver. Um mundo de paz, entendimento, cheio de virtudes.  Isso tudo investindo na saúde mental do ser humano. Aliás, muito esquecida nos programas governamentais.

O programa ACONTECE LÁ EM CASA tem um formato único. Sem a pretensão de ser uma terapia de grupo, ele é terapêutico, porque emociona, faz pensar e provoca mudanças. É espontâneo, como Moreno nos ensinou. Ele é verdadeiro, sem textos previamente decorados e sem roteiro.  Ele é delicado, terno e engraçado.

SBT:    Betty, em um de seus livros “A Culpa é da Mãe” (Editora Summus) você se baseia em fatos da sua vida real, seus erros e acertos, para dar exemplos. Você acredita que isso possa aliviar a culpa que todas as mães sentem por não serem “perfeitas”?

Betty:    Tenho provas e testemunhos diversos, que me confirmam isso. A CULPA dividida fica mais leve. E me coloquei como exemplo, exatamente para mostrar que todos erram.

 

SBT:    Sua infância difícil influenciou na mulher batalhadora na qual você se transformou?

Betty:   Eu acredito que sempre é tempo de ser aquilo que você deveria ter sido. Para vocês entenderem a profundidade desta frase, vou tentar resumir algumas partes curiosas da minha vida para vocês. 

 Ano de1949

-    E então, doutor... O que eu tenho?

-    A senhora não tem nada. A senhora está grávida, dona Felícia.

-    Eu?!?!... Grávida?!?... Ai meu Deus! Que vergonha!!!! Com 48 anos, uma filha noiva pra se casar e eu vou aparecer grávida?!?!

-    É dona Felícia... Acho mesmo inapropriado a senhora engravidar agora. Ainda mais já tendo três filhos grandes. Vou lhe dar umas receitinhas para abortar essa criança.

Acho que esse médico deve ter dado desentupidor de pia, mata mato, óleo de rícino, creolina, ... de tudo mesmo, para que a minha mãe me abortasse, mas conforme ela mesmo dizia, parecia que eu falava:

-    Daqui não saio, daqui ninguém me tira. Minha irmã me contou que no dia em que nasci, o meu pai chegou em casa, cabisbaixo e anunciou a triste notícia:

-    Nasceu... E é uma menina...

Ao vê-lo tão desolado por não ter nascido o filho homem que ele desejava, a minha avó Pascoalina o consolou:

-    Non essere come Nunes, una figlia donna e buona, perché prendersi cura di voi in vecchiaia.

Profecia auto realizatória: Cuidei dos meus pais até a morte deles. 

Dizem que o Ruy, meu marido,  escolheu casar comigo porque eu tinha uma mãe bem velha e assim, ele teria sogra por pouco tempo. Mas se deu mal, porque minha mãe morreu com 104 anos. Rsrsrs...


Pai e mãe de Betty

Fui uma criança muito frágil, delicada, tímida e doente. Carregava comigo o estigma do aborto fracassado. Carregava também o medo de que os meus pais morressem (devido à idade avançada). Não tive lá uma infância muito tranquila. 

Somatizei muito essa minha angústia. Cheguei a ficar de repouso absoluto e dieta alimentar por quase um ano, devido a uma doença nos rins. Não podia nem me virar na cama, quanto mais me sentar. Lembro-me que tinha sete anos. Estava sendo alfabetizada e tive de parar de frequentar a escola. Parei de brincar e passei a  ficar deitada, dias e noites infindáveis, olhando para o teto. Não tínhamos TV e muito menos brinquedos pela casa, onde só moravam adultos. Aos oito anos recebi alta. Não sabia andar, devido a tanto repouso. Reaprendi a andar e voltei para a escola. Só que as professoras ficaram com dó de mim e em vez de me fazerem repetir o primeiro ano (nem alfabetizada eu estava), me aprovaram para o segundo ano. Que desastre! Eu não entendia nada!!! Fui alfabetizada aos trancos e barrancos e até hoje tenho HORROR de matemática.


Betty, uma das poucas fotos de criança

 

SBT:     Depois de tanto sofrimento como foi para uma criança de 8 anos, se reerguer. Você se lembra dessa fase?

Betty:    Bem... Passados esses oito primeiros anos da minha vida, anos cheios de doenças e privações, eu passei a me sentir encantada pela vida e pela natureza.

Não tinha amigos, exceto os meus sobrinhos (filhos daquela minha irmã que ia se casar, lembra-se?).   Só que eles moravam no Rio de Janeiro, mas duas vezes por ano eles vinham para São Paulo. Tínhamos férias e aí... E aí nós fazíamos dessas temporadas  um universo mágico. Como eram mágicas as nossas férias!


Betty e seus melhores amigos! Seus irmãos e sobrinhos

Caçávamos leões na mata que existia atrás do sítio do meu pai. Fazíamos arapucas de peneira para pegarmos saci, nos dias de ventania. Chegamos a pegar um, mas o espertinho fugiu das nossas mão bem na hora em que íamos tampar a garrafa. Os sacis são muito rápidos e espertos.

Vou te contar uma coisa: Teve uma noite, que não tínhamos querosene para o lampião e fomos ao banheiro segurando uma vela. Queríamos ver a “loira do espelho”. Nossa! Ela existe. Eu pude ver um pedacinho da cara dela, antes de ser atropelada pelos meus sobrinhos que saíram correndo. Muito feia... Medonha!!!!!

Nós também vimos o Lobisomem! Foi na noite em que resolvemos dormir na casa que fizemos em cima da árvore. Aquela noite foi terrível, porque todos fugiram para casa e só eu fiquei lá, em cima da árvore, com o Lobisomem uivando e querendo me pegar. Aí eu chamei o meu pai e ele veio me salvar.   Veio montado na Faísca, a minha égua branca. Assim que ele passou por baixo do galho em que eu estava, estendeu os enormes braços e me puxou pra cima do cavalo. O meu herói. Sim, o meu pai fez o Lobisomem correr com o rabo entre as pernas. O MEU PAI!!!!

O meu pai era um contador de histórias. A minha mãe era uma Valente. 

Depois dos dias cheios de aventuras, brincadeiras, joelhos ralados, uma sopa nos esperava para o jantar. Era feita com tudo o que havia sobrado do almoço. Íamos para a cama felizes, pensando nas brincadeiras que nos esperavam no dia seguinte e no campeonato de “ PUNS”, que aconteceria na madrugada. Dávamos nomes aos puns: Tinha o tipo metralhadora, bomba atômica, matador, delicado, tímido, traidor... Quanta criatividade!

-    Vó, vó... acorda! Faz pipoca pra gente soltar mais pum... Pedíamos à minha mãe.

Pacientemente ela se levantava, de madrugada, fazia montes e montes de pipocas, que comíamos com leite em pó puro, enchendo a boca e soprando leite uns nos outros. A minha mãe entrava na guerra. Não consigo acreditar nisso, até hoje... A mesa da sala ficava branca de leite em pó e com o dedo indicador escrevíamos os nossos nomes.

E assim fui crescendo, numa tentativa louca de recuperar os oito anos da minha vida perdidos em doenças, medos e isolamento.


Turma que se aventurava no sítio nas férias mágicas da Betty! Serginho Saraceni, que hoje é maestro e faz as trilhas sonoras das minisséries da globo, Nair, sua Irmã querida, Denise Saraceni, diretora de núcleo da Globo e Patricia Saraceni, artista plástica.

SBT:    Depois de tudo isso a vida melhorou?

Betty:     Na verdade a gente tem que se acostumar aos altos e baixos da vida. Depois dessa fase, meus pais faliram e recebi uma bolsa de estudos para poder continuar minha formação. Foram anos difíceis. Perder tudo aos sessenta anos de idade não é nada fácil. Passamos por grandes dificuldades:


Betty no colo de sua mãe e todos os seus irmãos antes da falência de seu pai.

Aos dezoito anos, quando concluí o curso Normal (hoje Magistério), resolvi que iria estudar Arqueologia. O meu pai era um amante da História Antiga e eu herdei essa sua paixão.  Logo pensei que ele ficaria muito orgulhoso de mim. Cheguei para o meu pai e orgulhosamente, esperando ver a sua reação,  lhe disse:

-    Pai, agora que me formei vou fazer a faculdade de Arqueologia. - Ele se tornou sério e seco e olhando bem nos meus olhos apenas me disse as seguintes palavras:

-    Não senhora. Agora a senhora vai trabalhar para botar dinheiro em casa. Mulher não precisa estudar tanto assim.


SBT:    Você culpa seu pai ou se arrepende por não ter podido fazer o que mais gostava na época?

Betty:     Não. Foi assim que o meu destino mudou. Se eu tivesse feito Arqueologia, provavelmente hoje  estaria vestida igual o Indiana Jones, montando  um garboso cavalo branco (a minha Faísca), em algum deserto de um lugar bem longe, buscando fragmentos da nossa história, para entender como chegamos até aqui. 

De certa forma, sou um pouco arqueóloga. Faço um trabalho arqueológico com as pessoas, buscando fragmentos da história de vida de cada um, para entender o seu aqui e o agora.

Trabalhei um bom tempo como professora, o que muito contribuiu com a bagagem de sabedoria e prática que carrego. Como sou voraz, questionadora e atuante, estou sempre correndo atrás do tempo perdido. Assim que me casei cursei Pedagogia. Queria entender como se dava a aprendizagem.

 

SBT:    E quando começou a história da Betty como mãe?

Betty:     Aos 23 anos com a Gabriela e depois dela, fui tendo um filho atrás do outro. Por me encantar com a infância e com eles, revivi toda a minha infância. Foram os meus mais jovens amigos. Prioridade em minha vida até hoje.( Só superados pelos meus 6 netos). Ah! Continuo casada com o Ruy. Vamos completar 45 anos de união.


Casamento de Betty e Ruy

Eu devo confessar uma coisa: Prefiro muito mais a companhia das crianças do que a dos adultos.

Enquanto criava os meus filhos, trabalhava e estudava. Sendo Pedagoga, resolvi estudar as questões das dificuldades de aprendizagem e então comecei a atender como psicopedagoga. Daí pra fazer psicologia, foi um tempo. Esperei que o meu caçula ficasse um pouco mais independente e fui cursar a faculdade de Psicologia, para entender o quanto as questões afetivas e emocionais influenciam na boa aprendizagem. Assim sendo, aos 40 anos, realizei o grande sonho de me tornar psicóloga clínica, atendendo muitas, mas muitas crianças e adolescentes: O meu fascínio pela compreensão do mundo e do homem, abrangeram as suas formas de sentir, pensar e se comportar.


Betty, seu marido Ruy e seus 4 filhos pequenos

Fiz especialização em Psicodrama, pois a espontaneidade, o lúdico, o criativo, a fantasia, o teatro e o “COMO SE”, sempre foram presentes em minha vida.

 

SBT:    E em que momento começou a escrever seus livros que hoje são verdadeiros manuais de conduta para pais em todo o Brasil? 

Betty:    Em 2002, lancei o meu primeiro livro: CRIANDO FILHOS EM TEMPOS DIFÍCEIS – ATITUDES E BRINCADEIRAS PARA UMA INFÂNCIA FELIZ (ed Summus), onde abordo a importância do brincar, no desenvolvimento psíquico, cognitivo e afetivo infantil. De brincadeiras eu entendo... Fui salva por elas.

Depois vieram os outros livros, que escrevi baseada nas dificuldades e conflitos da população que atendo : FAMÍLIAS. Não me preocupo em salvar esse planeta (já tem muita gente fazendo isso) eu me preocupo em salvar os futuros cidadãos que habitarão esse planeta.

Escrevi seguidamente CRIANDO ADOLESCENTES EM TEMPOS DIFÍCEIS (ed. Summus), visando levar a sociedade a respeitar os nossos jovens, rotulados como ABORRESCENTES”, marginais e delinquentes. Não, os adolescentes não são isso. Eles apenas desempenham o papel que a sociedade (que não os compreende) lhe dá. 

Logo após, sentindo que as mães estão transformando a maternidade em um fardo, querendo ser perfeitas e concorrendo entre si, escrevi o best seller A CULPA É DA MÃE, buscando mostrar que é mais fácil educar sendo um bom modelo e acreditando naquilo que pensa, do que buscar receitas e fórmulas mágicas que mal servem para a sua família.

Bem... Se a culpa é da mãe? CADE O PAI DESSA CRIANÇA ... Esse foi o livro que escrevi na sequência, porque nos dias atuais, onde a maioria das famílias vivem de renda dupla, ao pai não basta mais o papel de provedor. Ele precisa participar efetivamente da vida desse filho. Pesquisas atuais mostram o quanto um pai presente e participativo é importante na formação do psiquismo, da inteligência e sociabilidade do filho.

Falando em família, no livro AVÔS E SOGRAS – DELÍCIAS E DILEMAS DA FAMÍLIA MODERNA, trato dos conflitos familiares que acontecem devido à má convivência entre avós e sogras. Pesquisas mostram que 60% dos conflitos familiares são causados por esse relacionamento. E , finalmente, lanço o livro VIVER MELHOR EM FAMÍLIA, que se resume em dicas simples para o dia a dia de todas as famílias.

 

SBT:    Em suas Redes Sociais e nas Redes Sociais do programa que já estão no ar, há muitas perguntas de internautas. Você às responde pessoalmente? 

Betty:    Como você pode ver, a minha preocupação em levar a psicologia para além das paredes do meus consultório e para aqueles que não podem pagar por uma orientação, sempre foi prioridade. Faço um trabalho social totalmente gratuito através das minhas redes sociais: Facebook, Instagram, Blog, onde respondo a todas as questões que me enviam, pessoalmente, acompanhando caso a caso.

Eu sempre fui movida por projetos de vida e realizei todos os meus sonhos. Não cursei Arqueologia, mas estudo muito e viajo pelo mundo todo em busca da História da Humanidade.

 


Francisco Nunes dos Santos, pai de Betty


Felicia, mãe de Betty quando jovem.


Betty pequena

 

Por: Gabi Monteiro
Fotos: Fotos Cacá Dominiquini
Imagens: Arquivo pessoal

Fonte: SIbe do SBT
http://www.sbt.com.br/acontecelaemcasa/fiquepordentro/85651/Betty-fala-da-importancia-de-tornar-a-psicologia-acessivel-a-todas-as-classes-sociais-.html

 

 
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